Anatomia do Estômago

Hoje falarei sobre a anatomia dos estômagos dos animais domésticos.

Estômago dos Monogástricos

Nos animais monogástricos (animais com apenas um estômago – cavalos, porcos, cães e gatos), o alimento, após deglutição, desce pelo esôfago até chegar ao estômago. O bolo alimentar entra no estômago através de uma abertura chamada cardia ou ósteo cárdico. Uma vez processado, o bolo alimentar sai do estômago através de uma abertura chamada de piloro ou ósteo pilórico.  Alguns consideram o cárdia como a área entorno do orifício por onde entra a o alimento e piloro a área entorno do orifício por onde sai o conteúdo gástrico e apenas o ósteo cárdico e pilórico como os orifícios especificamente por onde entra e sai conteúdo, respectivamente.

Nesse sentido, o estômago têm dois esfíncteres:

– Esfíncter cárdico – controla a entrada do bolo alimentar

– Esfíncter pilórico – controla a saída do conteúdo gástrico. Nos porcos, este esfíncter tem uma protuberância em direção ao lúmen do piloro chamado de torus pilórico.

*Esfíncter=  Músculo anular contrátil que serve para abrir ou fechar vários orifícios ou ductos naturais do corpo (Michaelis).

Ainda neste sentido, o estômago é dividido em quatro regiões:

  • Cardia ou Região Cárdica
  • Fundo ou Região Fúndica
  • Corpo
  • Piloro ou Região Pilórica – esta ainda se subdivide em :
    • Antro pilórico – parte mais expandida da região pilórica.
    • Canal pilórico – parte mais estreita da região pilórica.

Nos equinos, o fundo é bem desenvolvido, sendo, às vezes, chamado de saco cego. Nos porcos há uma estrutura chamada de divertículo ventricular ou gástrico que forma-se a partir do fundo.

Além disso, o estômago apresenta duas curvaturas: a curvatura menor e a curvatura maior. Na curvatura menor há um ângulo bem fechado em direção à região pilórica do estômago chamada de incisura angular. Esta incisura é bem pronunciada nos carnívoros, principalmente os gatos, chegando alguns autores a chamar a curvatura menor destes de incisura angular.

stomach anatomy

Estômago

Fonte:https://www.imaios.com/en/e-Anatomy/Thorax-Abdomen-Pelvis/Digestive-system-Illustrations

Em termos de posicionamento, o estômago tem duas faces:

– Parietal – voltada para o diafragma e fígado.

– Visceral – voltada para as outras vísceras.

Os cavalos por apresentarem um cárdia com musculatura bem desenvolvida e um ângulo que dificulta a saída do conteúdo gástrico, assim como por apresentarem um estômago posicionado de forma afastada dos músculos abdominais, eles não conseguem vomitar.

Parede Interna do Estômago

Internamente, o estômago é todo rugoso e revestido por diversas glândulas com diferentes funções tais como: secreção de ácido gástrico, a secreção de muco, dentre outros.  Os cães e gatos têm um estômago simples, ou seja, sua parede interna é todo recoberta por glândulas. Já os cavalos e porcos têm estômagos compostos, ou seja, apresentam uma porção desprovida de glândulas chamada de porção ou região aglandular. Essa porção é revestida por tecido epitelial pavimentoso (squamous epithelium), por isso, em inglês, é chamado de ‘squamous region’.A linha divisória entre a região aglandular e a região glandular é chamada de margo plicatus ou margem pregueada.

 

horse stomach anatomy

Estômago Equino

Fonte:http://biologiapontal.blogspot.com.br/2015/08/

Internamente, o estômago pode ser dividido em três regiões, de acordo com a distribuição das glândulas gástricas.

– Região das Glândulas cárdicas

– Região das Glândulas fúndicas ou gástricas propriamente ditas

– Região das Glândulas pilóricas

As glândulas gástricas se encontram na região do cardia, as glândulas pilóricas na região do piloro e as fúndicas na região do corpo e fundo.

As glândulas cárdicas e pilóricas são as que produzem um muco alcalino que formam uma barreira e fazem um tampão para proteger o estômago do ácido gástrico. As glândulas fúndicas apresentam três tipos celulares:

– Células do colo – produzem muco alcalino.

– Células principais ou zimogênicas – produzem pepsinogênio, o precursor da enzima pepsina, responsável pela quebra de proteínas.

– Células parietais ou oxínticas –liberam o ácido clorídrico e fator intrínseco, substância responsável pela reabsorção da vitamina B12 no íleo.

A histologia do estômago é bem mais complexa que isso e precisará ficar para outra postagem. Para complicar mais ainda, essas regiões histológicas não batem perfeitamente com as regiões anatômicas macroscópicas do estômago. Complicado não é?

Bom, abaixo esta uma imagem dessa distribuição e as diferenças entre as espécies domésticas.

stomach comparisonRegiões gástricas das espécies domésticas

Fonte: http://vetufv.blogspot.com.br/2013/04/o-estomago-simples.html

Fixação do estômago

O estômago apresenta algumas estruturas para fixa-lo em sua posição, que são:

– Ligamento gastroesplênico – liga o estômago ao baço. Faz parte do omento maior.

– Prega gastro-pancreática – parte do omento maior que liga o estômago ao pâncreas.

– Ligamento gastro-frênico – liga o estômago ao diafragma.

-Omento maior

– Omento menor

Os omentos ou epíplons são dois folhetos do peritônio (revestimento mesotelial da cavidade abdominal) unidos e que conectam duas vísceras entre eles.  O omento menor ou pequeno epíplon  liga o estômago, a partir da curvatura menor, ao duodeno e fígado. O omento maior liga o estômago, a partir da curvatura maior, ao diafragma, baço e cólon transverso, recobrindo todas as alças intestinais.

omento

Omentos maior e menor

*Sei que este é um blog de medicina veterinária, mas esta foi a melhor imagem que consegui para visualizar melhor os omentos.

Abomaso

Como já foi explicado no post Estômagos dos Ruminantes, o abomaso dos ruminantes (animais poligástricos) desempenha a mesma função que o estômago dos monogástricos. No entanto,sua anatomia é um pouco diferente.

Apresenta dois orifícios:

– Abertura omaso-abomasal

– Piloro

Apresenta três regiões:

– Fundo

– Corpo

– Piloro

Próximo ao piloro, há uma elevação na mucosa devido a musculatura bem desenvolvida nessa região, chamada de tórus pilórico.

Internamente, apresenta dobras em formas de espirais, assim como, glândulas gástricas propriamente ditas e glândulas pilóricas.

abomaso

Abomaso

Fonte: http://bvetmed1.blogspot.com.br/2013/03/ruminant-abdomen-lecture-157.html

Goteira esofágica e Coalho em Bezerros

Os bezerros alimentam-se apenas de leite materno, portanto não precisam dos pré-estômagos para fazer a digestão de material vegetal. Então, nos bezerros, há a goteira esofágica ou esofageana, um sulco que permite que o alimento passe direto do esôfago para o abomaso, sem passar pelos pré-estômagos. O reflexo da sucção dos bezerros faz com que este sulco se transforme num canal que permite a passagem direta do leite do esôfago para o abomaso.

Nestes bezerros ainda em amamentação, há também a produção do coalho, um conjunto de enzimas produzidas no abomaso que ajuda na digestão do leite. A principal enzima é a quimosina ou renina, uma enzima que quebra a proteína caseína do leite, fazendo com que ele coalhe. Esta mesma enzima é usada na indústria láctea para a produção de alguns queijos.

Bom, agora o querido glossário :

PT EN ES
Abertura omasoabomasal Omasoabomasal opening Orificio omasoabomasal
Abomaso Abomasum Abomaso
Acido clorídrico Hydrochloric acid Ácido clorhídrico
Antro (pilórico) (Pyloric) Antrum Antro, antrum  (pilórico)
Bezerro Calf Ternero, becerro
Canal pilórico Pyloric canal Canal pilórico
Cardia Cardia Cardias
Células do colo Neck cells Células del cuello

Células cervicales

Células parietais

Células oxínticas

Parietal cells Células parietales

Células oxínticas

Células principais

Células zimogênicas

Chief cells

Zymogenic cells

Peptic cells

Células principales

Células zimógenas, zimogénicas,

Células peptídicas

Coalhar Curdle, to Cuajar
Coalho Rennet Cuajo
Corpo Body Cuerpo
Curvatura maior Greater curvature Curvatura mayor
Curvatura menor Lesser curvature Curvatura menor
Divertículo ventricular, gástrico Ventricular diverticulum Divertículo del estómago
Esfíncter cárdico

Esfíncter esofágico inferior

Cardiac sphincter

Cardioesophageal sphincter

Inferior esophageal sphincter

Esfínter cardico

Esfínter esofágico inferior

 

Esfíncter pilórico Pyloric sphincter Esfínter pilórico
Estômago composto Composite stomach Estomago compuesto
Estômago simples Simple stomach Estomago simple
Face parietal Parietal surface Superficie, cara parietal
Face visceral Visceral surface Superficie, cara visceral
Fator intrínseco Intrinsic Factor Factor intrínseco
Fórnix gástrico Gastric Fornix Fórnix gástrico
Fundo Fundus Fundus, fondo
Glândulas cárdicas Cardiac glands Glándulas cardiales
Glândulas fúndicas

Glândulas gástricas propriamente ditas

Fundic glands

Proper gastric glands

Glándulas del fondo

Glánduls propias del estómago

Glândulas pilóricas Pyloric glands Glándulas pilóricas
Goteira esofágica Gastric groove

Esophageal groove

Reticular groove

Surco esofágico

Gotera esofágica

Surco reticular

Incisura angular Angular notch, incisura angularis Incisura angular
Incisura cárdica Cardial notch Incisura cárdica
Ligamento gastroesplênico Gastrosplenic ligament Ligamento gastroesplénico
Ligamento gastro-frênico Gastrophrenic ligament Ligamento gastrofrénico
Margo plicatus,

Margem pregueada

Margo plicatus,

Plicate border

Margo plicatus,

Borde plegado

Omento maior

Grande epíplon

Greater omentum Omento mayor

Epiplón mayor

Omento menor

Pequeno epíplon

Lesser omentum Omento menor

Epiplón menor

Pepsina Pepsin Pepsina
Pepsinogênio Pepsinogen Pepsinógeno
Piloro Pylorus Píloro
Prega gastro-pancreática Gastropancreatic fold Pliegue gastropancreático
Pregas espirais Abomasal folds, rugi folds Pliegues espirales
Região aglandular Squamous area

Non-glandular area

Esophageal region

Porción, región, área no glandular
Região glandular Gastric area

Glandular area

Región, porción, área glandular
Renina,

Quimosina

Rennin,

Chymosin

Renina,

Quimosina

Saco cego Large sac

Saccus caecus

Saco ciego
Tórus pilórico Torus pyloricus Torus pilórico

Referências:

– KONIG, H.E.; LIEBICH, H.G. Veterinary Anatomy of Domestic Mammals: Textbook and Colour Atlas.Stuttgart, Germany. 2007.

– CUNNINGHAM,J.G.; KLEIN, B.G. Fisiología Veterinaria.4ª ed. Elsevier. 2009.

– DYCE, K.M.; SACK, W.O.; WENSING, C.J.G. Tratado de Anatomia Veterinária. 3ª Ed. Elsevier. 2004.

 

 

 

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